A Marisa tem uma grande imaginação, que usa sobretudo para inventar brincadeiras no quarto, juntamente com a Lucy, a sua gata tigrada, e os seus bonecos preferidos. Desta vez, ela vai inventar algo que mudará para sempre a vida lá de casa: um hotel muito especial…
Créditos
Narração: Sara
Ilustrações: Teresa Torres
Participação especial: Francisco
História: Francisco
Realização, produção e textos: Francisco
Música original: Francisco
- Genérico
- Incidental
Música:
- Vanlig – Jahzzar
- Piano Sonata No. 10 in C major, K. 330 – Mozart
- At Launch – Kevin MacLeod (incompetech.com), Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0
- Ever Mindful – Kevin MacLeod (incompetech.com), Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0
- Marty Gots a Plan – Kevin MacLeod (incompetech.com), Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0
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O Guião
O Hotel dos Telemóveis
Escrito por: Francisco Alves
Contado por: Sara
Ilustrado por: Teresa Torres
Introdução do Podcast
Narrador: Olá a todos, bom dia! Ou boa tarde, ou boa noite! Eu sou a Sara e este é o: “Bem Mais Que Uma História”, um podcast de histórias para ver de olhos fechados.
A história de hoje chama-se O Hotel dos Telemóveis.
Foi escrita pelo Francisco, ilustrada por Teresa Torres e vai ser contada por mim.
É tempo de fecharem os vossos olhinhos para verem bem esta história.
História
MARISA: O que estás a ver no telemóvel mãe?
MÃE: [meio desinteressada] Uns vídeos de receitas... de bolos... [distraída] para amanhã.
MARISA: Que bolo? Por que amanhã? O que há amanhã mãe?
MÃE: [sobressaltada] Ah! Desculpa Marisa... estava distraída. [pousa o telemóvel] Então, amanhã é o meu aniversário! Já te esqueceste?
MARISA: [a fazer-se despercebida] Ah! Sim! Claro que não me esqueci!
NARRADOR: A Marisa é uma menina de 6 anos e vive com os pais nos Estados Unidos! Ela já nasceu na América, mas sabe muito bem falar português!
MARISA: [a falar baixo] Pai! Pai! Os anos da mãe são amanhã... tenho de preparar alguma coisa para ela! Tens alguma ideia?
PAI: [distraído no telemóvel] Espera um bocadinho... deixa-me só acabar de ler esta notícia... [a ler] “e os bombeiros conseguiram salvar toda a gente que tinha subido por engano à árvore gigante...”
[em voz alta] Ufa! Ainda bem que os bombeiros conseguiram salvar toda a gente!
[vira-se para a Marisa] Desculpa pequenina! Estava aqui distraído com as notícias. O que querias?
MARISA: [a falar baixo] Estava a dizer que os anos da mãe são já amanhã. Queria que me...
PAI: [sobressaltado] Amanhã? Mas... acho que tinha combinado um jogo de futebol com os meus amigos! [pega no telemóvel] Espera, deixa cá ver no calendário do telefone... [a verificar] dia 16... de manhã não tenho nada... À tarde... Ah! Cá está! O jogo com o pessoal.
[a falar para dentro] Ora bem... Vou enviar um email ao Tozé... depois uma mensagem ao Cajó... ligo ao António para desmarcar, ao Carlos para dizer que também não vou poder passar por lá... [fadeout]
NARRADOR: O Pai lá continuou distraído a desmarcar tudo o que tinha marcado para o fim de semana. A mãe... bem, a mãe continuava à procura de receitas na internet para o seu bolo de aniversário... Estavam os dois colados ao telemóvel...
MARISA: [suspiro] Só tu é que não estás no telefone Lucy!
NARRADOR: A Lucy era a gata da Marisa. Uma gata tigrada de um ano que gostava muito de brincar!
MARISA: [corre para o quarto] Anda Lucy! Vamos brincar para o quarto!
NARRADOR: A Lucy correu a toda a velocidade atrás da Marisa.
A Marisa tinha no seu quarto um caixote de cartão que a Lucy adorava!
A brincadeira preferida dela era a de imaginar que trabalhava para a NASA, a organização nos Estados Unidos responsável pela exploração espacial! São eles que enviam foguetões para o espaço!
A Marisa alinhou todos os bonecos que tinha no quarto em frente ao caixote. O homem aranha, o super-homem, o Astérix, o Charlie Brown, os sete anões, os sete super-cães... enfim todos os bonecos que ela conseguiu encontrar.
MARISA: [roleplay] Senhoras e senhores! Já foi escolhida a nossa melhor astronauta. A Major Lucy!
[a imitar uma multidão] ehhhhh! Viva!!! Lucy! Lucy! Ehhhhh
[roleplay] A Lucy vai partir numa missão muito perigosa! [a imitar multidão] ohhhhh.. Qual?
[roleplay] A sua missão é a de verificar se há vida em Marte! [a imitar multidão] ohhhhh. Uauuu
[roleplay] Uma missão que vai durar exactamente... errr.. seis dias... hmmmm sete meses... talvez um ano...
MARISA: [voz normal] Mãe! Oh Mãe! Chega aqui!
MÃE: O que foi Marisa?
MARISA: Quanto tempo é que um foguetão demora a chegar a Marte?
MÃE: [pega no telemóvel] Hmmmm... deixa aqui ver no telemóvel... [a escrever] “foguetão... tempo, demora, marte” hmmmm... sete meses mais ou menos....
MARISA: Obrigada Mãe! Queres ficar para ver o lançamento do fogue—
MÃE: [distraída com o telemóvel] oh! Esta fotografia de Marte é incrível. Vou mostrar ao pai... uauuu é mesmo impressionante ... olha este vídeo... como é que eles conseguem vídeos com esta qualidade? [fadeout]
NARRADOR: Mais uma vez a mãe distraiu-se com o seu telemóvel...
MARISA: [olha para a Lucy] Bem... somos só nós outra vez Lucy... onde é que íamos? Ah! Sete meses!
NARRADOR: A Marisa voltou a virar-se para os seus bonecos e continuou a discursar.
MARISA: [roleplay] A missão da Lucy, a de ver se há vida em Marte, vai durar sete meses! [a imitar multidão] Eiii! Tanto tempo! [roleplay] Não se preocupem bonecos! Não se esqueçam que a Lucy é a nossa melhor astronauta! Ela treinou muitos anos!
Alguém tem alguma questão para mim ou para a Lucy?
[a imitar um cão] au au au au
[roleplay] Boa pergunta super-cão! Queres responder Lucy?
[a Lucy rosna]
[a medo / sai do roleplay] Ai Lucy! Que mau feitio! Podias ser mais fofinha!
[roleplay] Chegou agora o momento! Vou colocar a coleira de astronauta na Lucy.
[sai do roleplay / a procurar a coleira / falar alto] Onde é que eu pus a coleira... Estava aqui ao pé do monopólio!
MARISA: Mãe! Oh Mãe!!!
MÃE: O que foi agora Marisa?
MARISA: Onde está a coleira especial da Lucy? Aquela toda prateada com diamantes brilhantes?
MÃE: Está na gaveta dos lápis de cera.
MARISA: Mas quem é que a pôs lá? O lugar dela é aqui ao pé do monopólio!
MÃE: Acho que foi a Tia Ana que arrumou lá da última vez que cá esteve. E por falar nisso tenho de a convidar para os meus anos! Já me esquecia!
MARISA: Vou agora pôr a coleira especial à Lucy... Ou melhor, a coleira “espacial” [rir] queres ver mã—
MÃE: [ao telefone] Estou Ana? Ia-me esquecendo de te convidar para os meus anos! Isto é que eu sou uma distraída! Não te esqueças que é já amanhã [fadeout]
NARRADOR: E mais uma vez... a mãe distraiu-se com o seu telemóvel...
[muda de cena]
NARRADOR: A Marisa estava outra vez sozinha com a Lucy.
MARISA: [olha para a Lucy] Não olhes assim para mim Lucy! Já sei o que é que estás a pensar! “que os humanos estão sempre no telemóvel e não sei o quê!”... mas isso não é verdade! Eu sou humana e não faço isso! Prepara-te mas é agora para a tua missão!
MARISA: [roleplay] Como eu estava a dizer, vou pôr esta coleira “espacial” [rir] à Lucy!
[voz normal / a tentar pôr a coleira] Ai Lucy! Tem calma! Deixa-me pôr aqui... está quase... não me mordas! Que chata!
NARRADOR: A Marisa teve de lutar um bocado com a Lucy para lhe conseguir pôr a coleira, mas lá conseguiu.
MARISA: [voz normal] Já está! Podias ajudar mais um bocadinho dona Lucy!
NARRADOR: A Marisa pegou na Lucy ao colo para a enfiar dentro do caixote de papelão.
MARISA: [roleplay] Boa sorte astronauta Lucy! O futuro da humanidade está nas tuas patas!
[a Lucy rosna]
[roleplay / meio atrapalhada] Sim sim... nós também gostamos muito de ti!
[solene] Boa viagem!
NARRADOR: E lá enfiou a Lucy para dentro do caixote. Os gatos adoram estar dentro de caixotes de papelão.
MARISA: [suspiro] Bom... Agora é esperar sete meses até a Lucy voltar...
NARRADOR: Enquanto a Lucy continuava fechada dentro do caixote, a Marisa foi até à sala ter com a mãe.
MARISA: O que estás a fazer mãe?
MÃE: Continuo a ver receitas. Há tantas opções que é quase impossível escolher só uma! Bolo de chocolate, mármore...
MARISA: Também posso ver coisas no tablet?
MÃE: Já estiveste um bocadinho de manhã Marisa. Bem sabes que o tempo de ecrã tem de ser respeitado para que possas—
MARISA: Desenvolver a criatividade e crescer de forma saudável e brincar com outros meninos... Já sei disso tudo! E vocês? Já não precisam?
MÃE: Como assim? Não precisamos de quê?
MARISA: De ser criativos? De brincar com outras pessoas? Estão quase sempre a ver notícias, a enviar mensagens, a ver receitas... há sempre qualquer coisa... Não é justo! Andam sempre distraídos...
MÃE: Oh... também não é verdade isso! [olha à sua volta] Onde é que está a Lucy? Viste-a?
[a chamar a gata] Lucy! Lucy!?
MARISA: Vês mãe! Eu estive a brincar este tempo todo com ela no meu quarto! Tu já lá foste duas vezes... eu até te pedi para ficares e veres o lançamento do foguetão...
NARRADOR: A mãe pousou o telemóvel... Teria a Marisa razão? Eles tinham tanto cuidado com o tempo de ecrã dela... mas, se calhar não estavam a ser um bom exemplo...
NARRADOR: A mãe foi ter com o pai, que continuava a ver as suas notícias.
MÃE: Temos de falar...
NARRADOR: Ela contou ao pai a conversa que tinha acabado de ter com a Marisa e chegaram à conclusão de que ela tinha razão. Não o faziam por mal... há tantas coisas que se podem fazer no telemóvel que é muito fácil distraírem-se.
NARRADOR: Depois de falarem durante algum tempo foram os dois ter com a Marisa ao quarto.
MÃE: Podemos entrar?
MARISA: Sim. O que se passa? Fiz alguma coisa de mal?
MÃE: [sorrir] Não! Claro que não. Eu e o pai queríamos dizer-te que tens razão. Nós passamos demasiado tempo nos telemóveis e vamos tentar mudar isso, prometemos!
MARISA: Fixe! Significa que vão poder assistir—
[roleplay] Ao regresso da grande astronauta Lucy!
NARRADOR: Ao ouvir o seu nome, a Lucy saltou para fora do caixote e saiu a correr do quarto!
MARISA: Depois de sete meses no espaço ela deve vir cheia de fome! [rir]
MÃE & PAI: [rir]
NARRADOR: A mãe e o pai ficaram para ajudar a Marisa a arrumar o quarto.
MÃE: Onde queres que ponha o caixot— o foguetão?
MARISA: [rir] Já não é um foguetão! Agora pode ser outra coisa qualquer! Olha, hmmmm... Se pusermos assim parece um computador superpotente! Se virarmos ao contrário... hmmmm pode ser uma arca do tesouro dos piratas! Hmmmmm... se pusermos assim ao alto parece... hmmmm um Hotel!
NARRADOR: Ao dizer isto o telemóvel do pai caiu dentro do caixote... e a Marisa teve logo uma grande ideia.
MARISA: Oh! É isso!
MÃE: É isso o quê?
MARISA: [rir] Já sei o que te vou oferecer amanhã nos teus anos! Agora saiam do quarto! Vai ser surpresa!
NARRADOR: Saíram os dois do quarto enquanto a Marisa trabalhou o resto do dia na prenda de anos da sua mãe. Cortou, pintou, dobrou, voltou a pintar, colou, voltou a cortar...
MARISA: Está perfeito!
NARRADOR: No dia seguinte, logo de manhã a Marisa correu até ao quarto dos pais!
MARISA: Parabéns, mãe!!! Tenho duas prendas para ti!!
MÃE: [a acordar] Hmmm! Que sorte! Quais são?
MARISA: [dá um beijo à mãe] Primeiro um beijinho mágico! Este beijinho vai fazer com que tenhas um dia muito feliz!
MÃE: [a receber o beijinho / rir] hmmmm! Já sinto o efeito!
MARISA: Agora venham os dois ver a segunda prenda! Venham, venham!
NARRADOR: O pai e a mãe saíram da cama e foram atrás dela até à porta de entrada de casa, onde tinham um pequeno móvel que era usado para pôr as cartas e as chaves de casa. Estava agora um objeto estranho em cima desse móvel, coberto com um pano.
MÃE: O que é?
NARRADOR: A Marisa tira o pano de cima do objeto e diz:
MARISA: Apresento: O Hotel dos Telemóveis!
NARRADOR: Era um hotel pequenino feito em cartão! Muito colorido!
MARISA: Tem dois quartos, um aqui, que diz mãe e outro aqui que diz pai.
Quando vocês chegarem a casa têm de pôr aqui os vossos telemóveis! Eles ficam a descansar até ao outro dia.
Eles também merecem uma pausa sabem, pois passam o dia todo com vocês!
E enquanto eles ficam aqui no quarto deles, é a minha vez de vos ter só para mim!
Fim da história
NARRADOR: Esta foi a história O Hotel dos Telemóveis, escrita, realizada e produzida pelo Francisco, e contada por mim, Sara.
O que acharam da ideia da Marisa? Um Hotel onde os telemóveis descansam para vocês terem mais companhia para brincar! Parece-me uma ótima ideia!
Tenham um bom dia, uma boa tarde ou uma boa noite!
Até à próxima história.